Perfil 1 - Predominância Digestiva Funcional

Os teus sintomas sugerem uma alteração predominante ao nível da função digestiva. Isto pode incluir digestão mais lenta, fermentação aumentada, produção de gases ou resposta exagerada a determinados alimentos.

Nem sempre está relacionado com “más escolhas alimentares”, mas frequentemente com a forma como o sistema digestivo está a funcionar.

Em muitos casos, existe uma componente de motilidade intestinal alterada, produção enzimática insuficiente ou sensibilidade aumentada da mucosa intestinal.

A intervenção passa por ajustar não só a alimentação, mas também a forma como o organismo processa essa alimentação. A culpa raramente é do alimento, mas do estado interno atual do corpo.

Antes de mudares o que comes, vale a pena olhar para como comes, porque grande parte do que se passa neste perfil decide-se aí. O que podes começar a observar e a ajustar desde hoje:

  • Mastiga até o alimento ficar quase líquido e come sentada, sem ser ao mesmo tempo que trabalhas ou conduzes. A digestão começa na boca e na chamada fase cefálica: o simples ato de mastigar com atenção ativa, por via do nervo vago, a produção de ácido e de enzimas antes de o alimento chegar ao estômago. Comer depressa e em stress salta esta etapa, e o alimento chega mal preparado às fases seguintes, o que aumenta a fermentação e o gás que sentes.
  • Deixa três a quatro horas entre refeições, sem petiscar pelo meio. Entre refeições, em jejum, corre uma onda de limpeza do intestino (complexo motor migratório) que varre resíduos e bactérias para a frente. Petiscar de forma constante trava essa onda e favorece a fermentação e o crescimento bacteriano onde ele não deve estar.
  • Faz três respirações lentas antes de te sentares a comer. O sistema digestivo só funciona bem em modo parassimpático, de descanso. Se comes em tensão, o corpo está em modo de alerta e reduz a secreção e a motilidade; e os sintomas pioram, mesmo com a “comida certa”.
  • Durante uma semana, regista não só o que comes, mas como e em que estado o fizeste. Muitas vezes o gatilho não é um alimento, é a circunstância. Saber distinguir os dois é o primeiro passo, e é informação que trazes contigo para a consulta.

 

O que este resultado não consegue determinar, e que faz a diferença: se o que predomina é menor produção de enzimas, motilidade lenta, sensibilidade aumentada da mucosa ou excesso de fermentáveis na tua alimentação.

São quatro mecanismos diferentes, com estratégias diferentes, e distinguir qual pesa mais no teu caso é precisamente o que se faz em avaliação individual com a minha equipa de nutrição clínica.

Se decidires avançar, partimos exatamente daqui: do teu caso, não de um protocolo igual para todos.